27 de Junho de 2017

Aplicativo promove acesso à cultura para deficientes visuais

Imagine-se sem poder enxergar. Agora pense no que faria para se divertir em tais condições. Será que ir a um museu entrará nesta escolha? É mais ou menos assim que deficientes visuais percebem os espaços de arte e cultura. Para eles, ir a estes locais não se enquadra como primeira opção de lazer. Mas um aplicativo alagoano quer mudar tal perspectiva e colocar a cultura de fato ao alcance deles.

 

O projeto interdisciplinar encabeçado pelo professor e coordenador do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Fábio Coutinho, quer promover a acessibilidade por meio de um aplicativo que, embora ainda não tenha nome, tem gerado entusiasmo nos envolvidos.

 

A ideia consiste em disponibilizar uma ferramenta no sistema operacional Android para que deficientes visuais consigam consumir arte e cultura. No projeto-piloto, o Museu do Palácio Floriano Peixoto, em Maceió, será utilizado para a implantação.

 

No museu, serão instalados sensores que permitirão que o aplicativo seja executado guiando o utilizador. O aplicativo fará ainda o detalhamento da arte pela audiodescrição. Atrelado a isso, o projeto quer garantir a viabilidade física do museu para o acesso de pessoas cegas. Isto é, adaptar o espaço para o público não apenas de forma sensorial, mas também fisicamente.

 

“O projeto busca utilizar a tecnologia da internet para apoiar o desenvolvimento de um aplicativo móvel que torne o Museu do Palácio acessível para pessoas com deficiência visual. Consiste na instalação de sensores nas peças do museu e o aplicativo irá ajudar a guiar e fornecer a audiodescrição dessas peças”, aponta Fábio Coutinho.

 

 A equipe de estudos envolve outras áreas porque o uso da tecnologia não seria suficiente para garantir a execução do projeto, explica o professor. Além do desenvolvimento do aplicativo, será necessário um estudo de viabilidade no museu e o envolvimento de áreas ligadas ao Turismo que consigam garantir a atratividade da ferramenta. Para isso, foram convocadas pessoas ligadas a um projeto de extensão do curso de Turismo do Campus Maceió do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) que já faz um trabalho de acessibilidade.

 

O grupo realiza capacitações de guias turísticos de Alagoas para lidar com o público especial. Além desta iniciativa, somam-se ao projeto outros professores da Ufal e Ifal de áreas, como turismo, geografia e artes, que irão contribuir para que o acesso dos deficientes visuais às obras de arte do museu seja completo. Segundo Coutinho, a iniciativa foi motivada pela falta de ações de acessibilidade não só em Alagoas, mas em âmbito nacional.

 

“Precisamos melhorar e muito, não só em Alagoas. Promover a inclusão principalmente no aspecto cultural é mais importante ainda, porque é difícil que pessoas cegas tenham acesso à cultura sem precisar ter alguém auxiliando. Isso garante a autonomia da pessoa cega na visitação e no consumo cultural”, afirma.

 

Ainda segundo o pesquisador, o projeto foi aprovado pela Fapeal e terá 12 meses para ser executado, mas já estão sendo estudadas formas de ampliar para outros espaços culturais e outras plataformas, como o iOS.

 

“Acredito que o prazo vai ser suficiente, já iniciamos pesquisas que permitam desenvolver novos produtos, não termina nos 12 meses. Esse é o tempo para prever os resultados e pensarmos em desdobramentos. Ela será inicialmente uma plataforma para Android, mas também precisamos colocar no iOS. Queremos buscar recursos e tornar o projeto possível em mais lugares, em outros museus”, diz Coutinho. Não existem números fechados sobre a quantidade de deficientes visuais no estado. A Associação de Cegos de Alagoas (Acal) estima que a quantidade ultrapasse 2 mil pessoas.

 

No Brasil, a estimativa segundo o censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que existam mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e seis milhões com baixa visão.

 

 

Fonte: Tribuna Independente