19 de Setembro de 2018

CPB quer captar mais brasileiros 'à margem' para o esporte paraolímpico

Preocupado em melhorar o rendimento do Brasil nos próximos Jogos Paralímpicos, que acontecerão em Tóquio, em 2020, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) trabalha também com outras metas no longo prazo. Uma das grandes missões da entidade é ampliar o número de praticantes no país, uma vez que a atual gestão vê grande disponibilidade de pessoas com deficiência, tanto para o alto rendimento quanto para a inclusão em atividades físicas.

 

Atualmente, o CPB afirma ter cerca de 7 mil atletas cadastrados nos cinco esportes que gerencia: atletismo, esgrima, halterofilismo, natação e tiro esportivo. Mas o número total no território é maior e difícil de ser estimado.

 

Modalidades como o vôlei sentado e o basquete em cadeira de rodas, e aquelas voltadas para deficientes visuais, como judô e goalball, são administradas pela Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes (CBVD), a Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC) e a Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), respectivamente. E até mesmo nos esportes sob responsabilidade do CPB existem muitos atletas que não têm inscrição formal.

 

No último Censo Demográfico, de 2010, 45,6 milhões de pessoas declararam ter pelo menos um tipo de deficiência, o que correspondia a 23,9% da população na época. Os números serão atualizados no Censo 2020. Para o presidente do CPB, Mizael Conrado, ainda é preciso inserir uma grande parcela no âmbito esportivo.

 

- Falta no Brasil criar mais oportunidade para as pessoas que ainda estão à margem. É basicamente o que estamos buscando fazer em nosso planejamento estratégico. Oferecer a condição para que as crianças tenham acesso ao esporte na fase escolar, bem como as pessoas que se tornam deficientes depois de adultas, nos centros de reabilitação, nas Polícias Militares e nas Forças Armadas. Assim, contribuiremos com o aproveitamento de muito potencial que ainda é desconhecido pelas organizações esportivas.

 

Para ampliar o número de praticantes, a entidade promete não apenas manter a caça aos talentos, mas investir em quem deve formá-los. O Comitê tem como meta capacitar 100 mil professores de Educação Física até 2025.

 

Bicampeão mundial de futebol de 5, Mizael foi eleito em abril do ano passado para o cargo. Antes, ele era vice-presidente na gestão do brasileiro Andrew Parsons, que hoje comanda o Comitê Paralímpico Internacional (IPC).

 

Ele é uma das atrações do VIII Seminário de Gestão Esportiva FGV/FIFA/CIES, que debaterá a essência do esporte como ferramenta de crescimento e bem-estar, no dia 25 de agosto, no Centro Cultural da FGV, no Rio de Janeiro.

 

Fonte: Terra