24 de Outubro de 2017

Menino cadeirante realiza sonho de ver Ivete Sangalo no Rock in Rio

O caminho que separa Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, da Cidade do Rock, na Zona Oeste do Rio, foi embalado por Heitor e seus covers de Ivete Sangalo. É a segunda vez que o menino de 5 anos verá a cantora, de quem é fã faz tempo, considerando sua pouca idade. Antes que o garoto pudesse atravessar os portões do Rock in Rio com sua cadeira de rodas, no entanto, ele e sua família precisaram passar por uma pequena saga.

 

Heitor nasceu com mielomeningocele, uma má formação no tubo neural que impede a medula neural de se desenvolver corretamente. Desde os primeiros anos, isso exigiu uma cadeira de rodas para que o garoto pudesse se locomover. A paixão por Ivete começou por conta de um grupo de dança adaptado, no qual Heitor é um dos dançarinos. A primeira música executada pelos participantes foi "Tempo de alegria", da intérprete baiana, o que rendeu ao menino uma eterna admiração.

 

Além de Ivete e da dança, Heitor também é apaixonado pelo rugby. E, o esporte, indiretamente, acabou ligando as suas paixões. A primeira vez que esteve em um show de Ivete foi no encerramento das Paraolimpíadas do ano passado, no Maracanã, a convite do jogador de rubgy adaptado Thiago Amaral.

 

Entre o esporte e a música

 

O esportista, que havia elencado os problemas de acessibilidade na última edição do Rock in Rio, em 2015, foi chamado esse ano para fazer parte da equipe responsável em adaptar o espaço do festival. Assim, Amaral, que se tornou amigo da família do Heitor, os convidou para o evento teste na Cidade do Rock, na última terça-feira. O lugar, antigo Parque Olímpico, reacendeu todas as lembranças da Paralímpiada que o menino tinha. O pedido para prestigiar o concerto no Rock in Rio veio em seguida:

 

— Ele ficou tão feliz na terça-feira que, quando chegamos em casa à noite, compramos logo o ingresso para o dia de hoje. Passei sete horas para buscá-los na bilheteira no dia seguinte, mas valeu a pena — conta o pai de Heitor, o professor Cristiano Azeredo.

 

Segundo ele, o festival conta com uma boa estrutura para pessoas com necessidades especiais; as rampas estão com a inclinação ideal, não há degraus pelo espaço e o chão está bem liso para que a cadeira de rodas não tenha problemas para transitar. O receio de que o Rock in Rio não estivesse adaptado para cadeirantes fez com que, em um primeiro momento, os pais não quisessem levar Heitor ao show.

 

— Ele estava pedindo tanto para ver a Ivete, mas estávamos com medo do festival não estar pronto para recebê-lo e que a experiência fosse desconfortável. Mas depois que o Heitor veio aqui na terça e aproveitou bastante, ficamos tranquilos. Ele foi na roda-gigante! Tem uma cabine especial para cadeirantes. Hoje ele está pedindo para ir de novo — diz a mãe, a professora Renata Azeredo.

 

 

Fonte: Extra